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Temidas. Subversivas. Heréticas. Bruxescas.
Um dos estilos literários mais populares do século XIX, o gótico teve sua origem na Inglaterra, com o romance O castelo de Otranto (1764), de Horace Walpole, mas o Brasil também soube exorcizar seus demônios e invocar pavores inimagináveis através da literatura. Influenciados pelos romances que chegavam do hemisfério Norte — mas também pela cultura e pelo folclore nacional —, autores como Machado de Assis, Coelho Neto, João do Rio, Monteiro Lobato, José de Alencar, Bernardo Guimarães, Fagundes Varela e, claro, Álvares de Azevedo, exploraram o insólito em várias de suas narrativas, abordando cenas e personagens que iam de fantasmas e esqueletos até bruxas e pactos demoníacos.
Mas e quanto às mulheres que escreviam nesse período? A exemplo de nomes consagrados do gótico universal, como Mary Shelley, Ann Radcliffe e Emily Brontë, existiu um gótico feminino no Brasil?
A resposta é sim! Durante o século XIX, diversas escritoras deixaram sua marca na crítica e na literatura produzida no país, seja através de publicações em periódicos e jornais, ou na poesia e na prosa. E, sim, muitas mulheres escreveram contos de terror tão elaborados e sinistros quanto os de seus contemporâneos masculinos, mas acabaram obscurecidas pelos historiadores da literatura.
Com suas histórias povoadas por fantasmas, assassinatos e pactos demoníacos, elas expuseram o horror de uma sociedade governada por homens poderosos. E por isso, foram apagadas da História. Agora, elas estão de volta!
Góticas brasileiras é a primeira coletânea a reunir exclusivamente contos góticos e de horror de autoras brasileiras do fim do século XIX e início do XX. Entre as histórias sinistras, figuram nomes mais conhecidos, como os de Júlia Lopes de Almeida, Maria Firmina dos Reis e Emilia Freitas, e nomes mais impopulares, como os de Corina Coaraci, Maria Benedita Bormann, Amélia Beviláqua, Chrysanthème, Delminda Silveira, Francisca Júlia, Carmen Dolores, Rachel Prado e Maria de Albuquerque.
Organizada pelos pesquisadores Ismael Chaves e Ana Paula Araújo, que também assina o posfácio, com apresentação da escritora e pesquisadora Ana Rüsche, prepare-se para (re)conhecer e se impressionar com as histórias sinistras de 16 grandes mulheres riscadas da Literatura Brasileira.